Companhia Cinzenta

HoTDQ - Sessão 20 - FINAL

A Queda do Castelo Celeste

Blagothkus (Guilherme Tiecher) pediu aos heróis que buscassem abrigo, pois, em posse da filactéria, ativaria uma nevasca para encobrir a fuga. Antes, porém, Broderick Brandebuque (Mauricio) e Carlon Amofel (Guilherme Alex) investigaram o quarto de Rezmir, Porta-voz Negra e de Rath Modar. Além de tesouros, encontraram cartas ligando o Culto do Dragao aos Magos Vermelhos. Severin Porta-Voz Vermelho, o já conhecido Porta-Voz Vermelho, assinava uma dessas cartas como "líder supremo" do Culto.
No quarto de Rath Modar, os dois encontraram um livro escrito em infernal chamado "Além dos Portões de Ferro". Encadernado em pele humana, o tomo relatava inúmeras invocações diabólicas. Em uma página marcada, havia uma menção a um ritual complexo, envolvendo o sacrifício de milhares de almas e uma oferenda em tesouros, para a invocação de Tiamat em forma corpórea no Plano Material. No entanto, o livro não citava detalhes do ritual.
Após uma noite de sono, o grupo acordou com o barulho de escudos batendo. Depois de soltarem Pilgrim Mond (Maiquel), já liberto de seu encantamento, correram até o pátio e encontraram os cultistas formando um cordão diante das portas da torre de comand.
Elagar, líder entre eles, exigiu a rendição imediata de todos, pois Sandesyl Morgia, antes de deixar o castelo nos wyverns, havia lhes avisado sobre a traição. Glazhael, Senhor das Nuvens, o dragão branco, estava com eles.
Diante da resistência do grupo, os cultistas iniciaram o ataque. Entretanto, Blagothkus e Carlon Amofel foram mais rápidos, dizimando boa parte deles com seus ataques mágicos de gelo e fogo. Cinco cultistas invadiram a torre e começaram a quebrar suas joias, de modo a danificar a mobilidade do castelo. Pilgrim Mond lançou um raio em Glazhael, Senhor das Nuvens. O dragão sobrevoou o pátio e lançou sua baforada gelada. Os cultistas que ainda restavam morreram…
Os ogros de Blagothkus começaram a atacar com suas balestras, ferindo o dragão algumas vezes. Pilgrim Mond prendeu a criatura ao chão com sua força natural, permitindo que o gigante acertasse seus golpes. Glazhael, Senhor das Nuvens ainda lançou mais uma baforada, mas não resistiu aos inúmeros ataques e morreu.
Temendo a queda do castelo, todos correram até a torre de comando para enfrentar os cultistas que ainda restavam. Infelizmente, o grupo estava muito ferido… Broderick Brandebuque, exausto, escapou para certificar-se que o dragão estava morto. Blagothkus caiu… Carlon Amofel caiu… Pilgrim Mond caiu…

Após verificar a morte do dragão, Broderick Brandebuque voltou para a torre, afim de ajudar seus amigos mesmo que isso lhe custasse a vida. O que encontrou lhe deixou em choque. Pedaços de corpos espalhavam-se por todos os lados, como se uma grande explosão houvesse acontecido. Não havia sobreviventes. Entre os corpos, jazia o tronco e a cabeça de Pilgrim Mond. Seu colar permanecia em seu pescoço, olhos fixos como se ainda combatesse. O corpo de Blagothkus ocupava o maior espaço e havia sofrido pouco com o que quer que tivesse acontecido. Não vendo nada que lhe lembrasse Carlon Amofel, Broderick Brandebuque gritou por seu nome, sacando suas armas. Não foi necessário. Ninguém respondeu.
- Por aqui, pequeno!
A voz cavernosa o assustou e gelou seu coração. Olhando para o pátio, o halfling avistou o casal de gigantes de pedra lhe acenando para que viesse em sua direção.
- Não há o que fazer! Precisamos nos abrigar para a queda!
Só então Broderick Brandebuque percebeu que o chão inclinava-se lentamente, como se o castelo fosse um barco afundando em um lago. Correu o quanto pode e seguiu as enormes figuras.
- Por aqui! – disse Hulde, a gigante.
Adentraram em uma sala de teto alto, com um caldeirão ao centro. Os dois gigantes começaram a traçar símbolos no chão e entoar cânticos. Uma cúpula de energia ergueu-se, formando uma semi-esfera em torno deles.
- Permaneça no meio, pequeno! – disse o gigante.
Um zunido forte, provocado pelo vento cada vez mais rápido do lado de fora, fez doer os ouvidos do halfling. Subitamente, ele sentiu seus pés deixarem o chão. Flutuava como uma pena, assim como seus protetores. Então, o castelo arrebentou-se contra o gelo da Espinha do Mundo.
O barulho foi tão forte que ensurdeceu Broderick Brandebuque. Os dois gigantes caíram ao solo com força, o halfling conseguiu rolar sobre eles antes de tocar o solo. O teto sobre sua cabeça ruiu, mas foi sustentado pela cúpula de energia. A gigante, ainda caída, tentava lhe dizer alguma coisa, mas seus ouvidos não distinguiam nada. Forçou seu olhar e leu seus lábios:
- Saia! Saia! – só então ele percebeu o sangue nos lábios dela e a cúpula lentamente se desfazendo.
Correu, lançando-se porta afora no exato momento em que o prédio ruía. Os detritos de gelo formaram uma avalanche que o carregou até uma das paredes exteriores do castelo.
Broderick Brandebuque balançou a cabeça, tentando reaver a audição e tomar alguma decisão. O barulho do vento lhe chegou aos ouvidos. Não havia muito o que ser ouvido: o castelo era um imenso túmulo gelado no meio do nada. O silêncio só era quebrado pelo estalar e crepitar do gelo rachando.
Sabia que sair pelo gelo seria suicídio. Lembrou-se do quarto do gigante e das peles que vira. Procurou mantimentos em meio aos destroços e encontrou carne seca, biscoitos e um pouco de vinho que, milagrosamente, não quebrou. Encontrou o quarto quase intacto: apesar da aparência frágil, a estrutura do castelo permanecia quase intocada, somente a torre de Sandesyl Morgia havia ruído e invadido as salas que, por azar, os gigantes haviam ocupado.
Com uma das peles e os dois baús, improvisou um abrigo dentro do quarto. O frio era tanto que mal sentia seus dedos. Uma pele de urso branca, algo que nunca havia visto, lhe parecia a melhor para cobrir-se. Enrolou-se nela, bebeu um gole de vinho e mordiscou um biscoito.
Havia sobrevivido. Como? Não sabia. Mas, e seus amigos? Era o único vivo. O único. Sentia falta de sua casa em Scornubel, falta do calor, falta do conforto, mas, pela primeira vez na vida, sentia falta das pessoas que havia conhecido. Lembrou de todos os acontecimentos dos últimos meses, de todas as dificuldades para terem chegado até ali. Um caminho de mortes… Aenor Curunir, o primeiro amigo que perdera… Liam e Carlon Amofel que, apesar de recentes, lhe eram muito queridos… Pilgrim Mond e Sagramor, a Fúria Liberta, sua nova família.
Uma lágrima rolou por sua bochecha roliça. E mais outra. E outra mais… Encolheu-se sob a pele e chorou como nunca havia feito, até cair, exausto, em um sono profundo e sem sonhos…

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ProfAlessandro

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